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O Fotógrafo

Quero neste espaço dar-me a conhecer um pouco melhor.
Deixo-vos para já dois testemunhos que muito me honram, Solange Pinto e Miguel Alvarenga, duas pessoas que me ajudaram e ajudam em todos os capítulos da vida.
À Solange e ao Miguel agradeço encarecidamente as palavras que aqui proferiram.

 

 

Pode ver aqui também o meu Portfólio.


O ser humano é especial pelas imensas e diversificadas características que lhe são inerentes.

            Acredito piamente que o Homem tem a capacidade de aprender, evoluir e utilizar os conhecimentos adquiridos com sensibilidade e inteligência em causas que lhe pareçam nobres e sempre com um objectivo, a plena realização pessoal.

 

            Não sei precisar o dia em que o João descobriu essa grande paixão que é a fotografia, mas saberia aqui descrever com exactidão todos os seus passos evolutivos como fotografo e o empenho com que abraça cada desafio a que se propõe.

            Hoje, confesso que é com certa nostalgia que recordo as primeiras fotografias taurinas do João… talvez não tenham sido as suas melhores imagens, mas foram com toda a certeza os retratos das nossas vidas, captadas no mais belo dos palcos nacionais, o renovado Campo Pequeno, onde na arena se “defrontavam” mano-a-mano Rui Fernandes e Vítor Ribeiro, enquanto nós, eu e tu meu querido João, fazíamos da escrita e fotografias, o mais perfeito dos casamentos, onde a palavra e a imagem serão eternos namorados!

            Perdoa-me se exagerar ao dizer que foi nessa noite que tudo começou, a nossa grande, emotiva e inesquecível viagem pelo jornalismo.

 

            Desde essa altura que novos reptos se te depararam. Não só os enfrentaste como se enfrenta a um toiro para uma pega de caras, mas procuraste sempre fazê-lo com arte. Sim, porque quando se fala de fotografia fala-se indubitavelmente de arte, é portanto inevitável que a obra resultante se transforme no mais belo dos quadros que aqui vais expor, na mais recente das galerias.

 

            Numa pesquisa sobre a arte de fotografar, encontrei esta frase da autoria de Barthes que aqui tomo a liberdade de reproduzir por achar que em ti se encaixa na perfeição.

 

            “Fotografar é colocar na mesma linha de mira a cabeça, o olho e o coração.”

 

Por: Solange Pinto

 

Um Jornalista à antiga

 

Ser fotógrafo de toiros, se esta for a melhor definição para os muitos – e alguns bem antigos – repórteres que se dedicam à fotografia de temática taurina, não pode ser apenas retratar o momento do ferro, o momento do passe, o segundo exacto da reunião entre toiro e forcado. Tem que ser muito mais que isso.

E o João Dinis é. Andei atento ao seu trabalho, desde o debute, no site do meu querido amigo Hugo Calado (toureio.com, ao tempo toureio.no.sapo), senti, como se costuma dizer dos toureiros, que ali “havia madeira”, “havia fibra” e havia, acima de tudo, um jovem a apontar carreira de grande profissional.

Desafiei-o há um ano a trabalhar no “Farpas”. A ele e à Solange, claro. Faziam, achava eu – e confirmei-o – uma dupla fantástica. Pessoal e profissionalmente.

E eles vieram. Não vou contar aqui a nossa primeira conversa, o nosso primeiro jantar. A empatia foi mútua. Eu senti-me revisto na garra dos dois. Lembrei-me dos meus começos. Foi como se estivesse ali, de novo, a começar tudo outra vez.

Do ponto de vista pessoal e, sobretudo, humano, encontrei duas pessoas maravilhosas. Como já não se usa. Profissionalmente, descobri, com os meses e o aprofundar da nossa relação, dois “meninos-grandes”, com a fibra dos jornalistas de antigamente. Conheci muitos e privei com tantos, em mais de (já, imaginem!) trinta anos de profissão. Confesso que conheci poucos como eles. Mas é do João que vim hoje aqui falar.

Muitos mais que um “simples” retratista taurino (como há muitos…), o João Dinis é um jornalista, mas um jornalista “à séria”. Não limita o seu desempenho às fotos dos ferrinhos, dos passes e das pegas bem executadas. As suas fotos, os seus “bonecos”, como se dizia (e diz) nas velhas Redacções, exprimem o sentimento de um verdadeiro repórter. Acho que me estou a explicar, mas penso que me explico melhor se deixar aqui escrito que o João, numa temporada – a última – proporcionou aos leitores do “Farpas” (o meu jornal, para quem não saiba) alguns dos melhores momentos que se viveram nas arenas. Com a qualidade, a oportunidade (que é diferente de oportunismo) e o sentimento que, sózinho, na solidão do seu trabalho, soube expressar de forma tão “catedrática”, tão cheia de raça jornalística, tão cheia de força e com tanto valor.

Não tenho, por isso, a menor dúvida em afirmar que está aqui um jornalista em potência, um profissional dos pés à cabeça, um jovem que está a despontar, que já se afirmou e que começa a consagrar-se. É, sem dúvida também, o melhor da sua geração, o melhor da chamada nova vaga que está a renovar a Festa Brava em todos os sentidos. Não há só toureiros novos de valor. Há críticos novos, empresários novos, fotógrafos novos.

O João é o melhor. Se João Moura revolucionou e depois Pablo Hermoso inovou, eu diria que o Emílio é o Moura da fotografia taurina e o João o Pablo. Nem melhor, nem pior um que o outro. Apenas diferentes, mas na mesma linha de evolução. Ou melhor dizendo, complementando-se.

Este novo site é a prova do que acabo de escrever – se alguém ainda tinha dúvidas, viagem aqui pela arte do “meu menino”. Que me orgulho (imenso!) de ter ajudado a lançar.

Obrigado, João, pelo teu já tão valioso contributo à Festa Brava. Mas, sobretudo, ao Jornalismo. Gostava de ter ver operar noutras áreas, noutros campos. Um dia destes, fazemos um jornal diferente. E tu vais estar lá. Não me quero separar mais de ti, profissionalmente vais ter de estar onde eu estiver.

 

Por: Miguel Alvarenga